terça-feira, 30 de maio de 2017

A hibridação como vórtice criativo

 A segunda montagem da nossa intervenção artística foi feita no ICC- Sul, conhecido como UDFinho, onde circula a comunidade acadêmica da UnB - estudantes, professores, pesquisadores, servidores públicos e demais frequentadores do Campus da Asa Norte.


Fotos: Heloise Cullen
Vejo pétalas de uma flor de Lótus


Desta vez, encontramos uma sintonia cênica no grupo  que diluiu ansiedades e dúvidas sobre como a nossa performance iria acontecer. Senti que estávamos menos preocupados com a tecnicidade da nossa apresentação. A entrega ao fluxo da montagem  era agora uma possibilidade inventiva ao invés de uma ameaça - as lacunas entre as marcações coreográficas tornaram-se respiros expressivos e o improviso um canal de manifestação de nossas entranhas. 


Corporeidade compartilhada




Ocupamos o espaço com mais organicidade


É natural que a cada apresentação de uma mesma montagem a ansiedade diminua e dê lugar à confiança, especialmente quando as ações anteriores "deram certo". No nosso caso, minha percepção me conduz a pensar que esse aumento de sintonia e fluidez entre uma cena e outra se baseia em uma compreensão coletiva e corporal  adquirida com a prática conjunta, na experiência do grupo naquela dinâmica.


A hibridação como vórtice criativo


Nossa montagem nasceu de um encontro de dançarinas e musicistas com diferentes bagagens. Aos poucos, fomos colocando na Roda o atributo, o elemento cênico ou a poética que queríamos compartilhar, fazer girar em uma sinergia criativa. 

Sem abrir mão do olhar pessoal, da subjetividade, do modo único que cada um experimenta a dança de matriz pélvica buscamos interseções e pontos de fuga para criar o nosso mosaico Tribal. Já não precisamos delimitar espaços entre o Tribal Brasil, o Dark Fusion, o Tribal Fusion, a dança dos Orixás, a prosa de Guimarães Rosa - todos estes elementos estavam presentes e se misturavam para dar corpo a um movimento coletivo, como canais de manifestação de uma melodia comum, criada em conjunto.

Tendo por base a matriz pélvica, os movimentos básicos característicos da Dança Oriental, a Raqs Sharq, ou Oriental Dance, nosso processo criativo foi guiado pela hibridação entre os diferentes gêneros desta modalidade de dança, além da mescla com elementos da dança dos orixás, com a música orgânica e autoral, além de recursos cênicos - declamações e partituras gestuais.


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