quarta-feira, 28 de setembro de 2016

Início da construção cênica



A vegetação seca inspira composições musicais (Foto: Jamila Gontijo)

A musicalidade foi a camada criativa que predominou no último encontro, em grande parte porque no nosso Lab a maioria das dançarinas toca um instrumento ou canta.  Há uma relação natural da música com a dança, e no caso da Dança Oriental, muitas dançarinas tocam snudj ou percussão como parte do repertório. A conversa entre quadris e percussão é muito explorada, principalmente nos chamados solos de derbak, na Dança do Ventre.
 Paisagens existenciais: clima de deserto neosertanejo (Foto: Jamila Gontijo)

Conseguimos criar uma introdução para a nossa montagem. Depois de conversar um pouco sobre inspirações, temáticas, elementos que pudessem nos servir de ponto de partida para criações corporais, coloquei uma ideia para o grupo. Minha relação com o clima árido de Brasília, os longos meses de seca, me inspiram a compor o que eu chamo de música existencial, relacionada à aridez, à noção de isolamento que a secura traz, pela paisagem que vai aos  poucos minguando, as folhas caindo e a exuberância do verde entra em sono profundo e o cerrado vira sertão.  Tem uma dramaticidade nestas paisagens que me remete ao "neosertanejo", aquele Sertão que os irmãos Villas Bôas chamaram de "terra de fazer longe" em um dos contos sobre a vida do sertanejo (VILLAS BÔAS, C; O, 1997, 28).

O vocalize que chamei de Ser-tão ficou assim (em áudio). Filmamos um breve trecho, que pode ser visto no Vimeo, com a senha mayashiva.

Começamos com um vocalize e fomos brincando com os cânones, uma ideia da Bianca. Depois usamos a mesma linha melódica para introduzir a 2a. e 3a vozes. Das cinco dançarinas presentes (Bianca, Nindie, Jamila, Jessica e Shabbana), apenas a Jessica preferiu apenas observar as experiências musicais. Depois de consolidar a composição do vocalize, fizemos uma pequena sessão de yoga e então partimos para um jogo de improviso para  levar para o corpo a criação musical. É deste ponto que partiremos no próximo encontro.

Ao final do Lab, a Shabbana trouxe a ideia de usarmos algumas composições de roda para o trabalho corporal, já que os conceitos de "tribo e encontro" são fontes de inspiração para ela e para o grupo. Shabbs  também acha que podemos trabalhar o conceito de "visceral". A fusão precisa estar mais presente, como disse ela. Queremos trazer elementos da cultura nordestina, como o maracatu, e a estética mais gótica, dark, (queremos ver a Jéssica colocando na roda suas influências) a música eletrônica e outros elementos da cultura urbana para o universo que estamos compondo. Eu pensei em um rap, mas não sei para onde iremos nesta fusão. 

Entrando no processo criativo da dança

Proponho para o próximo encontro que o grupo comece a delinear a teatralidade da nossa montagem, então:

1) Cada um (incluindo o músico, o  Diego) pode apresentar a personagem que quer trazer para a cena.

2) Que atributo, habilidade ou elemento estético você quer colocar na roda criativa? Alguém quer inserir uma fala ou poema? Algum solo?

3) Tem algum animal de poder que você quer trazer?


sábado, 24 de setembro de 2016

Proposta para o encontro de terça, dia 27 de setembro



O ATS consolidou uma fórmula para o improviso coletivo que transforma a dança em um eterno jogo, uma troca que exige cumplicidade e traz liberdade para cada participante criar.

Existem outras maneiras de estabelecer códigos, dispositivos de improviso e jogo dentro da dança, e é o que vamos fazer neste encontro. O ponto de partida é a matriz pélvica. Vamos trazer camadas criativas para o processo: a musicalidade, um tema, uma peça de figurino...que elemento você quer trazer?

Para a musicalidade, usaremos voz e nossos instrumentos já conhecidos, como o snudj e o pandeiro.

Neste encontro, vamos tirar as dúvidas sobre a proposta do Lab PC e pactuar expectativas.

Namastê

A matriz pélvica na Dança Oriental




Os improvisos e experiências coreográficas nesta Laboratório têm como ponto em comum o uso da matriz pélvica. Como este é um espaço para dançarinas de diferentes gêneros da Dança Oriental, a maneira que podemos estabelecer uma base de diálogo corporal é por meio do uso dos movimentos elementares para o Tribal, Tribal Fusion, ATS e Dança do Ventre. Cada gênero utiliza a matriz pélvica a sua maneira, assim como cada dançarina acrescenta sua assinatura em sua dança. Ao mesmo tempo, há esse ponto de interseção, comum a todas vertentes da raqs sharqi.

O quadro abaixo apresenta uma síntese dos movimentos que são a marca oriental nesta modalidade artística. Partiremos deles para nossas experimentações. Procurei usar uma nomenclatura compatível com todos os gêneros da dança oriental.

MOVIMENTOS ONDULATÓRIOS
MOVIMENTOS CIRCULARES
MOVIMENTOS DE ACENTO/PESO
(Hip sway) Oito para cima
(Moon circle) Círculo pequeno
(Hip swing) Balanço/Batida de quadril para cima
(Hip thrust) Oito para baixo
(Sun circle) Círculo grande
(Hip drop) Batida de quadril para baixo
(Figure eight or loop of infinity) Oito básico
(Double circle) Círculo duplo
(Hip shimmy) Oscilação do quadril
( Belly wave) Ondulação


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

A musicalidade como camada criativa na dança de fusões

Jamila Salimpour: uso de instrumentos no Tribal

A arte é fluida, como a vida. E o que nos cabe é mergulhar na fluidez, abraçar o Mistério. Então, o que havia preparado para o nosso segundo encontro tomou outros rumos. E eu dancei com o fluxo. Desta vez, falamos sobre a musicalidade como camada criativa na construção de coreografias e performances. A Shabbana Dark trouxe o conceito de "Encontro" e fizemos algumas dinâmicas em roda, pois é no círculo que entramos na fluidez. É no círculo que o Um se torna Uno.

Tivemos a participação do Diego Sousa, que tocou escaleta enquanto improvisávamos com snudj e vocalizações. E de repente nossa dança era híbrida também nas linguagens artísticas.

Antes de improvisar trocamos experiências sobre alguns movimentos do ATS (da Rebecca) e uns passos de Tribal Fusion da Rachel Brice. Foi a base para o improviso. O toque do snudj foi sendo definido pela música, pela levada percussiva.

Foi um encontro muito rico e ficamos com a impressão de que a música ao vivo, o uso de instrumentos e voz são recursos criativos com os quais dialogamos profundamente. A musicalidade como camada criativa veio para ficar.

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Agenda de encontros



O LabPC acontece toda terça no Núcleo de Dança da UnB. Começou dia 06 de setembro e vai até dia 11 de outubro.

Tribo, Tribal e os círculos que nos unem



Início de setembro, a primavera se aproxima no Hemisfério Sul. Aqui no Planalto Central a seca está em seu auge. Tudo arde. Falta água e sobram folhas secas. Os ipês já foram rosas, amarelos e brancos. Agora é tempo dos ipês roxos,  seu último ciclo de flores coloridas.

Nosso Lab começou. Neste primeiro encontro apresentei minha proposta de pesquisa e trocamos ideias. Começamos uma breve sessão de yoga para aterrar  e esquentar o corpo. Depois, sugeri improvisos e movimentações inspiradas no conceito de Tribo. Fizemos associações: Tribal, ATS, círculo, cultura afro, caravanas, cirandas, trocas.

Decidimos praticar os movimentos circulares da matriz pélvica: círculos, oitos, deslocamentos sinuosos. Resolvemos usar a codificação do ATS adaptada à dinâmica do Laboratório para conduzir nossos improvisos coletivos.

A Flora trouxe vídeos das aulas de ATS e praticamos um pouco do movimento de "círculo em coração", uma combinação de oito e círculo pequeno usada nas músicas mais melódicas do ATS.

No próximo encontro  vamos continuar o trabalho com movimentos circulares de quadril e torso (taxim,reverse taxim, circle step, ribcage rotation, torso rotation).