A vegetação seca inspira composições musicais (Foto: Jamila Gontijo)
A musicalidade foi a camada criativa que predominou no último encontro, em grande parte porque no nosso Lab a maioria das dançarinas toca um instrumento ou canta. Há uma relação natural da música com a dança, e no caso da Dança Oriental, muitas dançarinas tocam snudj ou percussão como parte do repertório. A conversa entre quadris e percussão é muito explorada, principalmente nos chamados solos de derbak, na Dança do Ventre.
Paisagens existenciais: clima de deserto neosertanejo (Foto: Jamila Gontijo)
Conseguimos criar uma introdução para a nossa montagem. Depois de conversar um pouco sobre inspirações, temáticas, elementos que pudessem nos servir de ponto de partida para criações corporais, coloquei uma ideia para o grupo. Minha relação com o clima árido de Brasília, os longos meses de seca, me inspiram a compor o que eu chamo de música existencial, relacionada à aridez, à noção de isolamento que a secura traz, pela paisagem que vai aos poucos minguando, as folhas caindo e a exuberância do verde entra em sono profundo e o cerrado vira sertão. Tem uma dramaticidade nestas paisagens que me remete ao "neosertanejo", aquele Sertão que os irmãos Villas Bôas chamaram de "terra de fazer longe" em um dos contos sobre a vida do sertanejo (VILLAS BÔAS, C; O, 1997, 28).
O vocalize que chamei de Ser-tão ficou assim (em áudio). Filmamos um breve trecho, que pode ser visto no Vimeo, com a senha mayashiva.
Começamos com um vocalize e fomos brincando com os cânones, uma ideia da Bianca. Depois usamos a mesma linha melódica para introduzir a 2a. e 3a vozes. Das cinco dançarinas presentes (Bianca, Nindie, Jamila, Jessica e Shabbana), apenas a Jessica preferiu apenas observar as experiências musicais. Depois de consolidar a composição do vocalize, fizemos uma pequena sessão de yoga e então partimos para um jogo de improviso para levar para o corpo a criação musical. É deste ponto que partiremos no próximo encontro.
Ao final do Lab, a Shabbana trouxe a ideia de usarmos algumas composições de roda para o trabalho corporal, já que os conceitos de "tribo e encontro" são fontes de inspiração para ela e para o grupo. Shabbs também acha que podemos trabalhar o conceito de "visceral". A fusão precisa estar mais presente, como disse ela. Queremos trazer elementos da cultura nordestina, como o maracatu, e a estética mais gótica, dark, (queremos ver a Jéssica colocando na roda suas influências) a música eletrônica e outros elementos da cultura urbana para o universo que estamos compondo. Eu pensei em um rap, mas não sei para onde iremos nesta fusão.
Entrando no processo criativo da dança
Proponho para o próximo encontro que o grupo comece a delinear a teatralidade da nossa montagem, então:
1) Cada um (incluindo o músico, o Diego) pode apresentar a personagem que quer trazer para a cena.
2) Que atributo, habilidade ou elemento estético você quer colocar na roda criativa? Alguém quer inserir uma fala ou poema? Algum solo?
3) Tem algum animal de poder que você quer trazer?



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