No ponto em que chegamos no Laboratório é possível notar o fortalecimento do grupo na criação de sua coletividade. As rodas de conversa se tornaram momentos de tomada de decisão e em muitas vezes as atividades desenvolvidas têm a liderança partilhada. Além disso os jogos corporais estão mais fluidos, o que permite a montagem coreográfica coletiva, com a definição de marcações corporais que se intercalam aos momentos de improviso.
A imagem da roda é muito evocada durante os encontros, desde os exercícios corporais até os momentos de conversa. No roteiro da nossa montagem, nosso primeiro encontro em cena acontece em uma roda, na qual giramos e cantamos, antes de parar em semi-círculo. A roda é o elemento central das Danças Circulares Sagradas, sistematizadas no Ocidente pelo coreógrafo alemão/polonês Bernhard Wosien.
Conseguimos chegar a dez cenas, e no próximo encontro a montagem será fechada, para entrarmos no processo de sintonia fina de cada cena. As dançarinas ressaltaram que o derbak é um instrumento fundamental para que elas possam improvisar e por isso sentem falta dele, que funciona como guia dos movimentos dos quadris. Por enquanto, estamos usando pife, pandeiro e escaleta, acrescido hoje de bongó e o violino. Acrescentamos também uma formação coreográfica de Tribal Brasil.
A ideia de trazer objetos de cena ou instrumentos de dança como leque, espada e punhal perdeu força. Algumas dançarinas disseram que não tinham conseguido inseri-los na montagem por não encaixarem na temática do sertão, proposta como cenário para o desenrolar nas cenas. Chegamos a considerar que um leque de penas poderia evocar um pássaro, que nos levou à ideia de carcará ou ave de rapina. Meu processo criativo neste Laboratório inclui a criação de um personagem para a minha dança ligado à imagem de um pássaro para a qual devo criar um figurino.
Aliás, o tema figurino foi debatido entre nós. A Bianca lembrou que os figurinos de ATS são bem pesados, e o turbante na cabeça limitaria os movimentos mais soltos do Fusion. Concordamos em fechar o figurino na semana que vem, levando em conta a mobilidade e total liberdade de movimento.
A Nindie sugeriu colocar um momento de Gipsy Fusion, e o violino e escaleta nos deram uma cena que chamamos de Fusion, mas que ganha um traço de música eletrônica com o efeito vocal que o Diego faz na escaleta, lembrando os sons de mixagem de uma pick-up de DJ. Como usaremos estes elementos finais é algo que vamos definir no próximo encontro.

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